
Pois é, entre a primeira postagem, cheia de entusiasmo e otimismo quanto à "forma mais ou menos sistemática" de escrever as 'coisinhas', muitos dias e noites - alguns memoráveis...outros também, mas com pretensões a esquecíveis... - se passaram. E por vezes senti muita vontade de escrever. Aconteceram muitas coisas bacanas - encontro com Elisa Lucinda, descobertas musicais, idas ao cinema - que dariam ótima prosa aqui no blog (prá mim, pelo menos...rsrsrs). Mas vou me deter em um acontecimento que se não foi o mais importante (não consegui dar peso a alguns ocorridos desse tempo; quase tudo foi tão significativo...), foi um dos mais marcantes e que me fez refletir muito, chorar um pouco, relacionar à vida: a floração do meu cacto. O ganhei do amigo-luz - ilumina meus dias com sua sabedoria divertida, sua molecagem nível máximo, sua forma de dizer tudo e não magoar nada... - que aqui o deixou por não vê-lo em melhor cenário, a varanda linda e coberta de céu. Aí comecei a ver o movimento: um pistilinho pequeno, saindo do meio do cacto. Uhú! Já sabia eu, a espertinha, que dali ia sair uma flor linda! E sabia disso porque já tinha visto essa preparação, ainda que an passant e talvez com menos interesse, quando seu dono ainda não era euzinha. Bom, prá resumir a trajetória que acompanhei muito de pertinho dessa vez, e cheia de expectativa, a cada dia crescia um pouco mais. E o corpo do cacto parecia estar cansado, direcionando todas as suas forças para a preparação dela, a flor, que vinha assim, assim, protegida por pétalas verdes, como dedos. E isso levou vários dias (tenho que confessar que sou péssima com anotações que exigem uma certa constância, como diários, agendas. Por isso não sei precisar quantos dias, horas, luas, etc...perdoem-me os virginianos) até que, de repente, em um domingo, sem avisar nada, ela abriu....linda!!!!!!!! Branca. Pétalas pontudas, forte. Espetáculo que quase perdi! E assim, lindamente poderosa, ela ficou por algumas horas. É isso mesmo. Durou pouquíssimas horas todo aquele esforço dispendido pelo cacto que, pobrecito, ainda está se recuperando do parto. Claro que fiquei chocada! Como assim? Me deixa na maior expectativa durante dias e se vai desse jeito???? Não me deu tempo de olhá-la ao sol da manhãzinha ao menos, a danada! E aí bateu...caraca, que lição da porra recebi disso. Assim, simples demais. O esforço do cacto não está atrelado à duração da sua flor. Ou à duração de sua admiração. Mas à sua efemeridade. Sua inutileza (ai, Manoel de Barros, dai-me mais desses neologismos que vislumbram, na linguagem, os encantamentos inintelingíveis dos cruzamentos conceituais-poéticos de suas imagens...) é sua força. Por que temos sempre um porquê? Acho que foi mais ou menos isso que o cacto me ensinou, ainda que cientificamente deva ter uma explicação super coerente, prática, mas nada poética. Então, fico com minha versão do causo mesmo...Aí em cima, o início da preparação para a flor. O durante e o final não foram registrados....pena, eu sei. Mas ano que vem ele flore de novo...aí eu mostro...
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