
Ao completar a meiota da balzaquice, também chamado de 35 anos, aprendi uma poesia que revela um acordo seriamente divertido, meu pacto com o tempo. A recitei para alguns amigos (como sempre reitero: pobres amigos e seus ouvidos muito alugados....rsrs) e me emociono muito sempre que o recito. É meu. Me explica. E Elisa confirma: quem recita, se torna dono. Cada interpretação é autoral. Aí vai o 'meu poema' dos 35 anos...E uma imagem linda, da Frida Kahlo (Raízes).
quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando.
Viviane Mosé
Um comentário:
Amo esse tratado da Viviane Mosé. Dá vontade de encontrar o tempo e já negociar essa trepada diaria...rs
Muito legal essas suas florizinhas delicadas do cerrado...rs
beijo
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